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| Grupo teria sido recrutado para trabalhar no exterior, levado ao Camboja e depois transferido para Madagascar, onde as vítimas dizem ter sido obrigadas a participar de golpes virtuais |
Em 2025, o Ministério da Justiça identificou 84 vítimas de tráfico internacional, sendo 44 com o Camboja como destino.
O aliciamento costuma ocorrer pela internet, com ofertas de salários altos, passagens, moradia e treinamento. Depois da chegada, as vítimas podem ter documentos retidos, sofrer ameaças, cumprir jornadas excessivas e ter a liberdade restringida.
Um dos brasileiros contou que encontrou uma vaga em um grupo no Telegram. Ele acreditava que trabalharia com suporte de aplicativos, mas descobriu que havia sido levado para uma central de golpes.
Segundo o relato, os trabalhadores faziam de 10 a 12 horas de ligações por dia, tinham metas, recebiam punições e eram impedidos de circular livremente.
Após deixar o Camboja, o grupo foi transferido para Madagascar. A ONG aponta que as redes podem estar pulverizando operações para países como Paraguai, Ucrânia, Armênia, Malásia e Emirados Árabes Unidos.
Os 23 brasileiros foram presos em Madagascar em 19 de agosto. Um deles afirma que sofreu ameaças e violência durante a detenção e que parte do grupo conseguiu fugir para o aeroporto.
Segundo a Exodus Road Brasil, vítimas relataram ainda que policiais de Madagascar teriam negociado a devolução dos brasileiros à organização criminosa. O relato ainda é alvo de investigação.
O Ministério da Justiça alerta que propostas de emprego no exterior com salários muito altos, contratação rápida e poucos detalhes sobre a função podem esconder tráfico humano.
