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| Acidente aconteceu no domingo (22), no Splash Eco Park, em Abreu e Lima. Segundo pai da criança, dono do parque ofereceu R$ 2 mil para 'abafar' caso. |
Um menino de dez anos sofreu um ferimento na cabeça ao
descer de um tobogã no parque aquático Splash Eco Park, em Abreu e Lima,
no Grande Recife. A criança, que se chama Samuel, teve um corte na nuca e
precisou levar sete pontos. A Polícia Civil investiga o caso como lesão
corporal.
O acidente aconteceu no domingo (22) e, nesta sexta-feira
(27), o pai da criança, o advogado Leonardo Barbosa, conversou com o g1 e
contou detalhes do caso.
Segundo ele, após o ocorrido, o dono do parque aquático
tentou suborná-lo, oferecendo R$ 2 mil para "abafar" o caso (veja, no
vídeo acima, gravação da conversa). A empresa, por sua vez, negou as alegações
do pai e disse que o acidente foi um caso isolado (veja resposta mais
abaixo).
Segundo o pai, Samuel se feriu numa das junções de partes do
tobogã, que é uma estrutura reta, feita com fibra de vidro, em que as pessoas
descem deitadas. Há, segundo Leonardo, fissuras e "batentes" ao longo
do escorrego.
Leonardo contou que a família estava no parque para o
aniversário de um primo do menino, e que o filho tinha ido no brinquedo antes
de o acidente acontecer. Ele o monitorava de longe, da área em que ficam as
cadeiras. Por volta das 14h, Samuel bateu a cabeça e, com o impacto, cortou a
nuca.
"O corte foi profundo. Lá no hospital, eu vi o osso do
meu filho. [...] Pela velocidade, eu nem vi que tinha sido meu filho descendo.
Eu vi o anúncio me chamando. Dei aquele pulo da cadeira, porque não tinha noção
de que tinha sido ele. Ele contou que ainda deu uma nadadinha, mas o pessoal do
parque pulou, pegou ele e levou para o posto médico, num contêiner que tem
dentro do parque", afirmou o pai.
No posto médico do parque, profissionais limparam e
enfaixaram o ferimento e orientaram a família a levar o garoto a um hospital. O
menino foi de ambulância com a mãe, e o pai, de carro. Eles foram ao Hapvida de
Bairro Novo, em Olinda, onde Samuel foi atendido.
O pai do menino contou que ele passou por um raio-X, mas que
a equipe médica notou uma marca no osso do crânio do garoto, que, segundo
Leonardo Barbosa, ficou exposto. Por causa disso, ele passou por uma tomografia
para verificar se houve outros danos, o que foi descartado.
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Fissuras em tobogã em que menino sofreu ferimento na cabeça |
Apesar do susto e da gravidade do acidente, Samuel recebeu
alta hospitalar no mesmo dia, por volta das 21h30. A família prestou queixa do
caso na Polícia Civil e, posteriormente, o menino passou por exame de corpo de
delito no Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife.
"Fisiologicamente, ele está bem, dentro do possível.
Mas, psicologicamente, com perdão da palavra, ele está uma merda. Ele sente o
cheiro de sangue, é um negócio louco. Na hora, ele não queria entrar na
ambulância, porque lembrou da avó, que entrou na ambulância e infelizmente não
voltou", declarou.
Leonardo contou que a direção do Splash Eco Park o convidou
para uma conversa no parque. Ele foi ao local com uma testemunha do acidente,
um engenheiro, mas o dono não estava no estabelecimento. Depois, marcou uma
conversa com ele sozinho, num shopping.
"Ele disse que iria se encontrar comigo e que esse
encontro deveria ser só eu e ele, sem intermediário. Achei muito estranho. Por
que eu não podia ir com outra pessoa? Ele nem sabia quem era a outra pessoa.
[...] Me foram oferecidos R$ 2 mil como uma forma de negociação ali, para
encerrar os fatos. Ele queria o tempo inteiro que eu desse um valor, e, assim,
a gente não coloca valor nem no serviço do outro, quanto mais pelo que meu
filho teve. Não tem como dizer", afirmou.
"Ele ofereceu os R$ 2 mil e eu ri na hora. Aí foi
quando eu perguntei a ele se o brinquedo tinha manual, tinha responsabilidade,
ele disse que não vinha ao caso. Depois, ele aumentou esse valor para R$ 5 mil,
que era o máximo dele", disse.
O que diz o parque
Por meio de nota, o Splash Eco Park disse que reitera o seu
compromisso com a qualidade de seu espaço, bem como a segurança de seus
clientes, e que repudia veementemente as alegações do pai da criança.
Segundo o parque, as afirmações "não representam a
verdade, sendo infundadas e cheias de ilações e vícios, sendo este um caso
isolado, tendo o parque prestado toda a assistência necessária", diz a
nota.
"Quanto aos comentários recebidos, o Splash informa que
não recebeu nenhuma reclamação formal. Alem disso, o Splash Eco Park possui
todas as licenças e alvarás de funcionamento e conta com equipe de salva vidas
e orientadores capacitados", finaliza a resposta.
Fonte: g1