quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Família acusa médicas após mulher fazer "cirurgia de baixo risco" e ficar em estado vegetativo no Recife

Familiares da consultora de imagem Camila Nogueira, de 38 anos, denunciam um suposto erro médico após uma cirurgia considerada de baixo risco, realizada em agosto de 2025, em um hospital do Recife. Desde o procedimento, Camila encontra-se em estado vegetativo, com consciência mínima, internada na UTI, sem autonomia e com sequelas neurológicas graves.

Segundo os advogados da família, Camila foi submetida à retirada da vesícula e correção de hérnia no Hospital Esperança. De acordo com a defesa, ela era saudável e não possuía doenças pré-existentes. Durante a cirurgia, teria apresentado dificuldades respiratórias, apneia prolongada e, posteriormente, uma parada cardiorrespiratória, resultando em danos cerebrais irreversíveis por falta de oxigenação.

Em dezembro, os familiares ingressaram com representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), solicitando o afastamento e a cassação do registro de três médicas envolvidas: a cirurgiã-chefe Clarissa Guedes, a cirurgiã-auxiliar Danielle Teti e a anestesista Mariana Parahyba. A denúncia aponta falhas no monitoramento, demora no reconhecimento da parada cardíaca e ausência de registros adequados de intervenções médicas.

A defesa da família sustenta que houve negligência, imprudência e imperícia, destacando que alarmes teriam sido ignorados por vários minutos e que a paciente permaneceu em sofrimento respiratório antes da parada cardíaca. Camila teria sido reanimada cerca de 17 minutos após o início da intercorrência, já com sequelas neurológicas permanentes.

As médicas Clarissa Guedes e Danielle Teti negam responsabilidade e afirmam que não há nexo de causalidade entre suas atuações e o quadro da paciente, além de manifestarem solidariedade à família. A anestesista Mariana Parahyba, por meio de sua advogada, informou que não se manifestaria neste momento.

O Hospital Esperança declarou que prestou todo o suporte necessário assim que tomou conhecimento da intercorrência e reafirmou seu compromisso com a segurança dos pacientes. Já o Cremepe informou que as denúncias e sindicâncias tramitam sob sigilo processual.