quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Conheça a história e o legado do ilustre brejense Mário Falcão

Um homem que na sua simplicidade, com trabalho e honestidade, contribuiu      quando foi prefeito para o desenvolvimento da sua terra, a querida Brejo da Madre de Deus, priorizando a educação.

Mário Falcão foi um brejense muito atuante em obras e ações em sua cidade natal. Querido por todos, o ex-prefeito do Brejo da Madre de Deus faleceu aos 94 anos de idade, na ultima segunda-feira, dia 10 de setembro, deixando uma imensa saudade e um grande legado.

Para deixar nossos leitores bem informados sobre quem era o senhor Mário Falcão, o Blog Estação Notícias traz a biografia deste grande brejense, e também refresca a memória de seus contemporâneos.

A biografia do senhor Mário Falcão foi escrita por sua filha Roseana Maria Falcão em dezembro de 2016. Confira:

Mário Falcão nasceu prematuro, aos sete meses, em 03/05/1924 no sobrado Nº 31 da Rua Dr. José Mariano, na cidade do Brejo da Madre de Deus. Foi batizado às pressas pelo Padre Ananias que também foi seu padrinho, pois sua mãe temia que ele morresse “pagão”. Seus pais são: Gustavo Marinho Falcão e Amélia Arcelina Falcão.
Seu pai foi prefeito durante muito tempo no Brejo; foi prefeito indicado e prefeito eleito pelo voto. 

Sua mãe morreu muito jovem e seu pai casou-se novamente, com Júlia, sua cunhada. Seus irmãos são Alcina, Almerinda, José, Nelson, Antônio, Lindaura, Erasmo, Leonor (Lôzinha), Dejanira (Dida), José Carlos (Zezito), Gustavo (Tavinho), José Bonifácio (Zezinho) e Amélia. Teve outros três irmãos que morreram ainda crianças bem pequenas, Carlos e Margarida, nascidos antes dele, e Sebastião, nascido em 1934 e que faleceu em 1937.

Mário estudou na Escola onde por muitos anos funcionou o Fórum; era uma escola pública e sua primeira professora foi Dona Sylvia Guimarães, a qual não era brejense. Sua irmã mais velha, Alcina, também foi sua professora. Em 1935, “em vista das notas obtidas durante o ano letivo e nos exames que prestou em 18 de novembro do corrente ano, fica com direito a matricular-se no 3º ano do curso primário.” Em 1936, não deve ter frequentado a escola, talvez por conta da perda da sua mãe, que faleceu nesse ano. Com doze anos de idade, e muito apegado à sua mãe, ao vê-la doente, se preparando para passar uma temporada na cidade de Pesqueira, para tratamento médico, pediu que o deixasse acompanhá-la, no que foi atendido. Estudou até a terceira série do curso primário, “Aprovado com Distinção” conforme Boletim de Promoção, “com direito a matricular-se no 4º ano do curso primário” em 17 de novembro de 1937.

Estudou música, mas por conta do professor que o agrediu batendo na sua cabeça com a vareta de maestro, não quis mais voltar às aulas.  Aprendeu a tocar bandolim, de ouvido. Seu pai havia contratado um professor para ensinar às suas irmãs, Alcina e Almerinda; elas não aprenderam, e quem aprendeu foi ele e seu irmão José de Souza. 

Quando jovem, gostava de fazer serenatas e com os amigos José de Onofre e Luiz de Souza Dantas ao violão, ele cantava e tocava bandolim. Suas músicas preferidas para as serenatas eram valsas e outras da época, Perfídia, Rosa, Célia, Fascinação... entre outras.
Era sócio da ARB, Associação Recreativa Brejense, fundada em 1938 e com amigos promovia festas que aconteciam no Sobradão da Rua de São José, onde hoje funciona o Museu da cidade.

Sempre gostou de ler jornais, livros e revistas, hábito que cultivava bastante. E ainda criança, dizia aos colegas na escola: “Um dia, ainda vou ser Prefeito da minha terra”.
Seu pai, o Sr. Gustavo, que era o prefeito da cidade à época, ao saber, chamou o filho e lhe perguntou sobre isso. Mário lhe confirmou o que dissera na escola, ao que o pai retrucou: “Você pensa que ser prefeito é só dizer, é? Tem que se preparar...” 

Casou com Terezinha Barros Falcão, filha de Cícero de Barros Velho e Antônia Augusta Barros, em 24/09/1953, com quem teve nove filhos, todos nascidos no Brejo da Madre de Deus, de parto normal e em casa. As parteiras que ajudaram nos partos foram “Mãe Aguinha” e Dona Carmelita, além de uma enfermeira que ajudou no parto de José Wilson. Os médicos, Dr. José Carlos de Santana e Dr. Rui Uchoa Cavalcante, cada um no seu tempo, chegavam depois do parto realizado para examinar o recém-nascido e ver como passava a Sra. Terezinha.
Seus 9 filhos são: Pedro Paulo, Roseana Maria, Antônio Leonardo, Janice, Hamilton, José Wilson, Djair, Maria Teresa e José.

Mário Falcão foi alfaiate de cuja profissão se orgulhava muito, pelas roupas masculinas impecáveis que cortava e costurava. Aprendeu o ofício de um professor contratado pelo seu pai para ensinar-lhe durante um mês. Em uma semana, aprendeu tudo o que o professor de Corte e Costura tinha para ensinar-lhe.

Ele trabalhou na Alfaiataria que era vizinha à loja de tecidos do seu pai, na Praça Agnelo Campos. E também trabalhou como alfaiate no Recife, no Novo Continente.
Foi dono do Cinema Carlos Gomes por mais de vinte anos. Apaixonado por cinema, desde criança, quando fazia os cartazes publicitários dos filmes e assim entrava gratuitamente para assistir aos filmes. E quando se tornou adulto, comprou o Cinema ao Sr. Joaquim Herculano.

Os filhos herdaram do pai o amor pelo cinema e Pedro, o mais velho, foi aos poucos, dividindo com ele a responsabilidade pelo funcionamento do Cinema; os mais novos, e também a esposa, ajudavam na portaria. Quem projetava o filme era Mário Falcão.
O Cinema ficava ao lado da Igreja do Bom Conselho, na Rua Joaquim Nabuco Nº 03.

E nas festas de fim de ano, funcionava a noite inteira. Era uma festa para a família que praticamente se mudava para o Cinema. Lá era preparada a mesa com pasteis de bacalhau, sonhos, bolo, feitos por Dona Terezinha; sequilhos e bolinhos de goma, feitos por Dona Felícia; e lá também dormiam todos, num ambiente que havia contíguo à sala de projeção.

Mário Falcão foi eleito vereador em quatro mandatos, foi Presidente da Câmara de Vereadores e Prefeito da sua terra. Saiu candidato a prefeito por escolha do Sr. Epaminondas Mendonça, líder político da região, pai do Sr. Paulo Lucena de Mendonça, prefeito a quem Mário sucedeu.

Para as despesas da campanha política vendeu uma casa que recebera de presente das tias , que era localizada na Rua Dr. José Mariano, onde hoje está situado o Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Foi eleito Prefeito em 1968, com a maioria absoluta dos votos. Teve 2.539 votos e o Sr. José Cirilo, com quem disputou a eleição, teve 774 votos. Seu Vice-prefeito foi Jerônimo César. 

Entre as suas principais realizações:

Inaugurou a Unidade de Saúde Dr. José Carlos de Santana; o Serviço de Abastecimento d’água da cidade; construiu várias escolas na zona rural do município e o Colégio André Cordeiro.

Deu prioridade à Educação e considerava o André Cordeiro a sua maior obra, a mais importante; construído com recursos do município é fruto da sua determinação de querer fazer mais pela educação.

Foi ao Recife falar com o então Governador do Estado, o Dr. Nilo Coelho para pedir uma planta (Projeto) para um colégio com dez salas de aula. O Governador o encaminha para o Secretário de Educação, Dr. Roberto Magalhães, que lhe diz não ter, pois “... um colégio desse tamanho custa muito dinheiro... o Estado também não dispõe de recursos financeiros para tanto.” O Prefeito Mário Falcão lhe diz: O dinheiro para a construção, o Município tem!

O Município tinha ações da Petrobrás que foram vendidas com a aprovação da Câmara de Vereadores, e assim, o Colégio foi construído sem receber um centavo do Governo do Estado, nem do Governo Federal. Um Colégio Municipal!
 
Durante a construção do Colégio, que durou menos de dois anos, a obra foi fiscalizada diariamente pelo então Prefeito Mário Falcão que tinha por aquela obra uma atenção especial.

Ainda durante a construção do Colégio, quando o Governador Dr. Nilo Coelho passava nas imediações do Brejo rumo à sua Fazenda, parava sempre para admirar a obra, tão grande, e construída com recursos municipais! E dizia ao mestre de obras o Sr. Oscar, “diga ao Prefeito que passei aqui para admirar o colégio”.

A planta para a construção do colégio, fornecida pelo Secretário de Educação, foi adaptada às condições do terreno por um técnico de Caruaru e pelo próprio Mário Falcão que sempre gostou de desenhar. Acredito que se tivesse feito um curso de nível superior, Mário Falcão teria sido um arquiteto ou um engenheiro civil, tal a facilidade com a qual domina assuntos relativos a essas áreas técnicas.
 
O então Senador da República, brejense ilustre, Wilson de Queiroz Campos, destinou verbas para a compra dos instrumentos da Banda Marcial e para pagamento aos professores do Colégio, no seu primeiro ano de funcionamento.

Durante o seu mandato de Prefeito, trabalhou pelo município com o apoio do promotor Público, Dr. Abel Cavalcante do Amaral, brejense; do juiz da Comarca, Dr. Leonísio Lopes; do Padre Cônego Antônio Duarte, todos residentes no Brejo. Estavam sempre juntos nos eventos.

Quando terminou o seu mandato de Prefeito, continuou com o seu Cinema, trabalhando com os filhos e o irmão Nelson.

Com a aprovação, no vestibular de Engenharia Civil/UFPE, da sua filha Roseana, resolveu vir embora para o Recife. Precisava educar a sua numerosa família e procurar oportunidade de trabalho para todos.

No dia 21 de janeiro de 1975 saiu do Brejo para morar no Recife. Não possuía carro, e o médico Dr. Rui Uchoa Cavalcanti foi quem cedeu o seu carro para transportar a sua família, enquanto o Sr. Avelino, casado com Dona Cotinha, foi quem trouxe a mudança. 
Foi morar numa casa alugada, na Rua Paes Cabral Nº 125 no Bairro do Cordeiro, próxima a Av. Caxangá.

Ajudado pelos irmãos Zezito e Erasmo, comprou uma concessão de Loteria da Caixa Econômica Federal. Funcionava a Loteria na Rua da Guia, Bairro do Recife Antigo e lá começou a trabalhar com o filho mais velho Pedro Paulo.
Continuou com o Cinema, no Brejo, para onde ia de ônibus, nos finais de semana, com o filho Pedro Paulo, para exibir filmes, mas depois que sofreu a cheia de 75 (uma enchente do rio Capibaribe que alagou o Recife quase todo), vendeu o Cinema e ficou só com a Loteria.

Ajudado pelo filho, Pedro, conseguiu colocar a Loteria em posição de destaque, chegando a ser a quarta loteria em arrecadação no Estado de Pernambuco. Para isso acontecer, trabalharam muito. Saíam cedo de casa e só voltavam à noite. Sua esposa Terezinha, nos dias de maior movimento na Loteria, geralmente às sextas feiras, levava o almoço para que eles não precisassem sair da Loteria para se alimentar; ela pegava o ônibus Tabatinga na Av. Caxangá. 

Mário Falcão saiu do Brejo, mas nunca ausentou completamente, porque nunca esqueceu da sua terra natal. Mantinha a sua casa, na Av. Cleto Campelo, Nº 303 para onde gostava de ir, sempre que possível. Não perdia uma festa do padroeiro da cidade. A respeito da casa, certa vez, pensou em vender, para comprar uma no Recife, mas sua esposa não concordou.

Em 1992 fez campanha política para o seu filho Hamilton que se elegeu vereador no Brejo, e sempre apoiou candidatos que tinham compromisso com o Brejo. 
Não deixava de votar quando tinha eleição, mesmo que lhe seja facultado votar, e fazia campanha para seus candidatos com argumentos convincentes.

No ano de 1998, com a saúde debilitada pela diabetes, pois ficou diabético aos quarenta anos de idade, transferiu a Loteria para Roseana e Zé Mário, mas continuou, ainda por um bom tempo, trabalhando lá.

Sua família cresceu e ele tinha além da esposa e dos nove filhos, seis noras, um genro, 17 netos e três bisnetos. E chegou aos seus vividos 94 anos de idade, e morava com a esposa, as filhas Jane e Roseana.

Mário Falcão, um homem simples, mas refinado, inteligente, educado, atencioso, habilidoso, bem-humorado, amigo, trabalhador (nunca tirou férias), honesto, um homem de caráter!  Um homem dedicado à família, sua maior riqueza! Um homem feliz e realizado! Um sábio!
Foto do casamento de Mário Falcão com Terezinha barros falcão realizado em 24/09/1953 na casa dos pais da noiva.
Foto do Cinema Carlos Gomes, junto com o seu irmão Nelson e o filho Pedro
Mário Falcão quando foi vereador do Brejo da Madre de Deus
Mário Falcão quando foi prefeito do Brejo
Mário Falcão no dia da sua posse como prefeito do Brejo com o seu pai Gustavo Marinho Falcão e seus irmãos.
Prefeito Mário Falcão inaugurando a Escola José Batista Sobrinho no Sítio Juá.
O prefeito Mário Falcão fazendo a abertura da 1ª Feira de Gado em Brejo, realizada na sua administração, com o objetivo de mostrar o potencial do município para a realização de negócios, e assim atrair a instalação de agência bancária.
O prefeito Mário Falcão com o governador de Pernambuco, DR. Eraldo Gueiros, e o senador Wilson Campos os quais sempre prestigiaram suas ações como prefeito.
O prefeito Mário Falcão e o seu amigo de infância, o então senador Wilson Campos.
O prefeito Mário Falcão inaugura a Unidade Mista Dr. José Carlos de Santana – a maternidade.
Inauguração do serviço de abastecimento de água da cidade com a presença do governador do estado, Dr. Nilo de Souza Coelho, em 28 de março de 1970.
Inauguração de iluminação pública
Inauguração do Colégio Municipal André Cordeiro, seu maior legado!

Registros fotográficos da inauguração do Colégio Municipal André Cordeiro reunidos em um banner, o qual foi doado ao André cordeiro, na comemoração dos seus 40 anos, pelos filhos e filhas de Mário Falcão.
Registro da presença do ex-prefeito Mário Falcão, da ex-diretora do André Cordeiro, professora Leonor Falcão e da ex-secretária do André Cordeiro, professora Erundina Pereira Barros, na comemoração dos 40 anos do André Cordeiro.

Do Estação Notícias

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